segunda-feira, 5 de maio de 2014

Entrevista - Customizador Junior Martins "Junior 22"

Olá pessoal, hoje temos a honra de contar com um dos maiores customizadores de carros em miniatura do Brasil e do Mundo, Junior A. Martins, também conhecido como "Junior 22".
Seus trabalhos são admirados por colecionadores e customizadores de todo o planeta, e agora você confere aqui uma bela entrevista e assim conhecerá um pouco mais da vida desse grande artista.
Junior ao lado de Chris Parker


1- Nos fale um pouco de como, quando e porque começou a colecionar
Na adolescência, isso em meados dos anos 80 tive uma pequena coleção de/80 carrinhos nas escalas 1:24 e 1:18. Mas por vários motivos dei uma parada e acabei por vender muita coisa, outras se perderam ou quebraram. Eu diria que o começo da atual coleção foi em 1996, quando comprei meu primeiro Hot Wheels, era um 65 Impala que tenho até hoje. A partir daí, volta e meia eu comprava algum modelo dessa mesma marca que me agradasse, mas sem pretensão de ter uma coleção de fato.
Foi só em 2004 que comecei a comprar com mais frequência, mas com poucas peças guardadas, e em 2009 dei um passo um pouco maior, dando mais atenção a esse hobby, e de lá em diante o "vicio" aumentou bastante.

2- Qual era sua intenção ao se tornar um customizador?
Poder fazer algo diferente nas miniaturas, deixar com a minha cara.
Desde a adolescência eu já trocava rodas, pintava e rebaixava. Sempre gostei de plastimodelos mas ainda não mexia nas minis na escala 1:64, apenas na 1:24 e 1:18. Foi então que resolvi começar com os HW e outras nessa escala menor. Sempre buscando reproduzir detalhes dos carros na escala 1:1, como pitura, rodas, suspensão rebaixada, tentando fazer com que ela ficasse totalmente diferente da original, e um bom exemplo disso foi uma Saveiro geração 3 que "fiz" a partir de um Audacious da HW.


3- Hoje você é reconhecido como um dos grandes nomes  da customização de miniaturas. Como você vê isso?
"Todos gostam de ver algum trabalho seu", sendo ele reconhecido. elogiado, independente do que for.
Quanto a ser um dos grandes nomes da customização, acredito ainda estar buscando meu espaço, gosto do que faço, e geralmente esses trabalhos agradam muitos amigos e até mesmo customizadores.
Sempre há algo novo para se aprender, um novo produto, nova técnica, e assim fazer com que as ideias que surgem na cabeça se realizem.

4- Você coleciona apenas customs?
Não, eu possuo muitas minis customizadas, mas a maioria ainda está "original", ou quase pois a maioria eu acabo fazendo os detalhes dos faróis e das lanternas.

 5- Quantas peças você tem hoje na sua coleção? Tem uma preferida?
A minha coleção eu considero pequena se comparada com outras que vemos por aí. Hoje tenho cerca de 430 minis de várias marcas, sendo que a grande maioria é de HW.
Acho que não tenho uma preferida, gosto muito de todas elas.
Mas uma que tenho na coleção traz consigo uma boa história, é uma Holden Pickup da Matchbox Lesney dos anos 70 (que vinha com duas motos off road na caçamba) que guardei desde minha infância. Como ela estava muito brincada, as motos acabaram se perdendo com os anos, então resolvi customiza la, e no ano passado consegui comprar um idêntica, também muito antiga, mas dessa vez em perfeito estado.
Curto muito as customs, tanto as que eu faço como as que outros customizadores fazem.


6- Qual miniatura você gostaria muito de ter em sua coleção e que você ainda procura ?
Recentemente eu cismei com um Bugatti Veyron vermelho fosco da HW que saiu na série (Mistery Cars). Eu só tinha o azul fosco que na época comprei na gondola. Hoje tenho 7 variações dele, sendo da mainline e Speed Machines. E como eu ainda não consegui, até porque esse modelo é bem difícil, vou utlizar um que tenho aqui sobrando pra fazer uma custom idêntica ao modelo que quero.

7- No ano passado você esteve presente na 2ª edição da Colecon Brasil e participou dos concursos de customização que aconteceram por lá levando vários prêmios. Isso era esperado por você, ou foi uma surpresa?
Sempre quis muito participar desses eventos grandiosos com minhas customs. Ficar entre os finalistas era um sonho, pois sempre os grandes customizadores participam, o que faz com que o nível do concurso aumente. Eu tinha boas peças concorrendo e imaginava que estaria no páreo, mas foi sim uma grata surpresa levar os prêmios pra casa, e claro, uma alegria imensa.
Além da Colecon, estive presente na 2ª Toy Car Show que rolou na semana seguinte, e lá levei dois prêmios com minhas customs, me deixando ainda mais orgulhoso.


8- Você estará presente na 3ª edição da Colecon Brasil esse ano? O que você espera do evento desse ano?
Provavelmente não poderei estar presente nesse ano, mas sem duvidas é um evento que cresce a cada ano, e a expectativa é de sempre mais expositores, mais customizadores e mais público prestigiando, o que faz com que o colecionismo se torne cada vez mais prazeroso.
E uma coisa bem legal é sempre poder fazer boas amizades, conhecer produtos novos, e se divertir.

9- Muio se fala dos "gringos" e até ouvimos por aqui que eles são melhores que nós em relação a modificação de miniaturas. Você concorda com isso, ou acha que os brasileiros estão no mesmo ou até num patamar acima deles?
Acredito que os brasileiros estão em pé de igualdade com eles, até acima eu diria, haja vista os trabalhos que concorrem lá fora em grandes concursos de customização e os brasileiros sempre levam algum prêmio.

10- O fato do preço das minis por qui ser muito alto se comparado com o valor praticado lá fora encarece o trabalho de customização?
Eu diria que sim, pois algumas pessoas dizem que sou "louco" em cortar/furar/desmontar algumas minis mais "raras" ou "caras" por aqui. Eu já desmembrei um set da Mooneyes da HW pra citar um exemplo. Desse set eu cortei  e modifiquei completamente o caminhão Ford COE, que mesmo sozinho não é uma peça fácil de se conseguir por aqui, tanto pela quantidade de peças vindas pro Brasil e também pelo preço praticado por aqui.
Esse caminhão fez parte de um novo set criado por mim e que foi premiado no evento da 2ª Colecon, o que mostra que apesar da "loucura" de cortar a mini original se mostrou uma decisão acertada.



11- O que você acha que deveria mudar no cenário nacional em termos de colecionismo?
Os preços, pois em muitos casos, até por culpa de impostos altos encarece a coleção. Outro ponto é a falta de interesse de grandes fabricantes com o nosso mercado, que é considerado o segundo maior do planeta. Faltam produtos e não há apoio nos eventos que acontecem por aqui.
Além disso a falta de eventos "grandes" em outros estados, sinto que falta união entre os colecionadores.

12- No momento você tem algum projeto em andamento ou futuro que possa nos contar?
Alguns projetos na cabeça e no papel sempre tenho rsrs. Mas esses prefiro deixar no ar rsrs.
Pra dar um gostinho e mexer com o imaginário de vocês, vou contar o que começarei em breve, já tenho as minis envolvidas, e o que posso falar é que as mini são Matchbox antigos da década de 60, mas chega né? falei demais rsrs.
Em andamento tenho alguns projetos de minis tamaticas como os dois Mustang "Eleanor"do filme "60 Segundos", sendo o do filme antigo e do mais recente. Tem ainda o carro do filme "The Car", conhecido no Brasil como " O Carro - A Máquina do Diabo" e um caminhão usado no filme "Soldado Universal".

13- Qual custom foi mais prazerosa de se fazer? E qual deu mais trabalho até ficar pronta?
Prazerosa todas são, pois gosto de todas as peças que faço, além do fato de ser muito legal reproduzir uma ideia ou algum modelo especifico, sendo ele um carro de rua ou de filme.
Já fiz muitas peças bem trabalhosas e essas são as que mais gosto de fazer, com muitos cortes, emendas, moldagem em massa, troca de partes e fabricação de novas partes quando se faz necessário.
Vou destacar aqui uma que eu considero uma das mais trabalhosas que foi o "Mongo/Heinst Truck" do filme "Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio" usado na cena do trem. eram muitas peças pequenas, cortadas de diversas minis e coladas uma a uma e por etapas, o que além de muito trabalho demandou muito tempo. Em 2010 fiz um set que foi um dos meus primeiros trabalhos "pesados" na customização na escala 1:64. Eram 4 minis formando uma equipe de corridas com o tema So-Cal, e além delas fiz também o cenário/diorama onde tirei as fotos.



14- Já houve alguma situação que você dissesse: "essa eu não consigo fazer"?
Já tive algumas dificuldades pra fazer algum projeto, mas sempre consegui fazer as minhas ideia se tornarem realidade. O que pode acontecer é alguma parte de alguma custom não ficar 100% fiel ao modelo na escala 1:1, devido a dificuldade de se reproduzir alguma peça ou parte, que se fosse feita numa fabrica por uma máquina e no material certo. No meu caso como é quase tudo artesanal consigo obter um resultado próximo usando as técnicas e o material que eu tiver a mão.

15- Qual dica você deixa para quem pretende começar a customizar?
Use miniaturas baratas e que você encontre em boa quantidade com facilidade pra começar. Se conseguir algumas que já tenham sido "brincadas" será bom pra treinar. O grande problema é que querem aprender mas não possuem as ferramentas necessárias, e isso infelizmente limita bastante o trabalho, se mora em apartamento limita ainda mais devido a falta de espaço em alguns casos.
Mas sempre há um cantinho e um jeitinho.
Uma pequena morsa (mini torno de mesa), furadeira, dois pequenos alicates, ( normal e um de corte), estilete, tesoura, pequenas chaves de fenda, philips, lixas, pincéis finos, tinta em spray e algumas cores de tinta acrílica (potinhos pequenos), já dá pra começar a se divertir.
Um ponto importante é ter paciência, nem tudo é rápido pra ser feito, tem que respeitar o tempo de secagem dos materiais, se possível sempre dando um tempo maior do que o recomendado pelo fabricante pra não correr o risco de perder seu trabalho e ter que refazer. Sempre treine nas minis, tentando colocar em prática suas ideias, não se preocupe com os erros, uma hora eles vão acontecer, é normal, então faça de novo, conserte.
Pesquise, converse e vá aprimorando seu jeito de fazer suas próprias customs.

16- Essa eu fiz questão de deixar por último, pois se tornou uma marca nos seus trabalhos, o fato de você não fazer uma custom duplicada, ou seja, você não faz duas iguais.
Isso faz com que seu trabalho se torne ainda mais valioso, pois ninguém tem uma custom igual a de outro colecionador.
Nos fale um pouco sobre isso, e o porque de não se fazer "cópias".
Na verdade isso mudou um pouco recentemente. Pra dar um exemplo, não falando de miniaturas: nos anos 90 eu fazia muito daqueles painéis de instrumentos para carros, personalizados e conhecidos como "painel de neon". No meu caso, eu pintava a mão todos os detalhes com cores luminosas que ficavam "acesas" com luz negra instalada dentro do painel. Até quando eu numerava estava em  342, mas deixei de numerar. Eu nunca fazia um idêntico a outro. Poderia até fazer, com as mesmas cores e com os mesmos detalhes, mas só em carros de marcas diferentes; ou seja: não existiam dois Gol GTS com painéis idênticos feitos por mim. O que eu fazia era mudar algum detalhe de um para outro. E é exatamente aí que eu volto ao assunto das customs, muita gente me pede pra eu reproduzir alguma custom, e agora, alguns modelos eu posso até pensar em fazer um "clone", mas se eu fizer não será idêntica ao primeiro que eu tiver feito, principalmente se o projeto for daqueles bem trabalhosos. Mas isso é uma ideia que ainda estou trabalhando na cabeça, tentando me acostumar pois eu realmente tenha uma certa resistência em fazer.



















O blog Hobby em Miniatura é eternamente grato por sua gentileza em nos contar um pouco de suas histórias e lhe deseja todo sucesso do Mundo.

2 comentários:

  1. Pessoa extremamente inteligente e talentosa, tenho orgulho de ter uma miniatura do Junior em minha coleção. PARABÉNS.

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  2. opa, agora q tive a chance de ver.... Junior é gente bonissima.. e um fera das custons....tenho uma em especial q ele me presenteou...

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